Nosso fim não teve você na soleira da porta, nem último café da manhã. Não teve beijo na testa, muito menos na boca. Nosso fim foi num dia normal, numa semana como qualquer outra. Não tive pausa pra respirar, nem folga do trabalho. Foi um dia comum. Foi um fim comum. Mas mexeu comigo, porque dessa vez foi nosso. Não da mulher do filme, nem da minha amiga pirada, foi nosso. E eu não pude chorar, não pude gritar, nem espernear, porque você não teve a decência de me dizer uma semana antes que queria ir embora. Fez isso de repente, sem aviso prévio. Não deu sinais de que estava cansado, e eu te juro que se deu, eu não percebi. Só notei agora que passei o tempo todo sustentando uma perda de tempo. Quem sabe mais tarde me sirva como aprendizado, mas hoje tudo o que eu consigo pensar é que gastei meses ao seu lado pra nada. E até esse texto besta me parece em vão, sem graça. Com certeza você vai querer deletar como spam na primeira oportunidade. Nem uma introdução decente eu fui capaz de fazer, mas acho que basta a nossa introdução. Eu que sempre fui grilada com romance, namoro e essas coisas, agora acabei traumatizada de vez. Mesmo sabendo que o problema não é comigo, mesmo sabendo que você é que tem essa visão de mundo minúscula, eu não consigo mais. Eu pensei que o que tinhamos era amor, mas eu devia ter visto que não no nosso primeiro fim de semana juntos. Você ficou acomodado no sofá da minha sala vendo não sei que porcaria na televisão - só me garanto de que não era futebol, ou eu estaria vendo também. Eu praticamente não existia do teu lado. E o seu silêncio aos meus comentários e piadinhas era tão nojento, tão inóspito, que a minha vontade foi de romper tudo ali mesmo. Te mandar ciscar em outro terreiro. Porque eu sei, no fundo eu sei e todo mundo sabe que essa tua marra é só isso mesmo. Tua pretensão é sem fundos. Eu fui o macho da nossa relação o tempo todo, eu tive peito pra te chamar pra sair e ainda por cima pagar a conta, eu tive coragem de guardar o orgulho na gaveta e te ligar pedindo desculpas mesmo quando eu não tinha feito merda nenhuma. Enquanto isso você se resignou a mesma faladeira malandra, ao mesmo humor estúpido, persistiu com tua cara sonsa e tua risada demente. E hoje eu me olho no espelho e pergunto pra mim mesma que porra eu estava fazendo ao lado de alguém como você. Você não me merece, e dessa vez não é pra soar como final de filme de comédia romântica, nem é pra te colocar de quatro aos meus pés. Tô só constatando a burrice que eu fiz de ter continuado com você. Esse foi o nosso fim, e eu sei, eu sei o quanto eu devia me sentir bem com isso, eu sei como devia ser tranquilo acordar toda manhã sem ter você pesando nas costas. Na verdade é, sim. É tranquilo, é bom. Mas agora eu sinto falta do coador de pano sujo de café na pia, da televisão ligada…Sinto falta da gastura que me dava te ver sorrindo. Aquela coisa indefinida que arrebentava com a minha cabeça, que me fazia querer vomitar a janta e ao mesmo tempo ser feliz pra sempre. Eu fui dormir lúcida e e acordei drogada, levantei esse fiasco de pessoa com a auto-estima sabe-se Deus onde. O que você colocou no meu suco pra me deixar assim? Mesmo tendo plena certeza de que você é um erro meu cérebro parece ter virado uma gosma cinzenta. Nosso fim foi tão sei lá. Tão nosso e nem um pouco piegas. Foi definitivo, mas você aparece em todo o canto. O fim de uma tortura é só psicólogico mesmo? Quem sabe eu demore anos pra esquecer todos os detalhes sórdidos de você, todo o machismo e todos os sorrisos dementes. Caramba, minha vontade é de socar a tua cara. Você estragou a minha música favorita do Pearl Jam e ainda foi embora sem pagar a conta de luz. Eu te detesto. Você me enjoa de todas as formas possíveis, e eu tô rindo de você agora, tô torcendo pra que um dia você leve um pé na bunda bem gostoso de outra. Você merece porque cada dia pra mim ainda continua uma sessão de masoquismo. Eu odeio ele. Eu não devia sentir falta. Eu não tive culpa. Mas queria ter tido. Ele era um cafajeste. Eu o odeio…? 7 dias na semana. Ia fazer drama com 8 mas você não merece meu drama. Nem essa carta besta. Você não merece nada. Já basta eu ter que sorrir e chorar toda vez que eu admito pra mim mesma que você foi minha maior e melhor perda de tempo. Já basta eu saber que você não me merece, e continuar sendo otária o bastante pra te merecer. Já basta a ligação que eu insisti comigo mesma pra não fazer ontem, já basta. Acabou. Com o tempo eu me recupero, como sempre. É só tentar ignorar o pânico da estréia na boca do estômago. Isso não é um começo, nem preciso gritar. Isso nunca começou, sussurro. Terminou no dia em que eu te conheci e não pode começar agora. Já terninou e isso esse instinto me dizendo que não é só porque eu sou do contra. A gente foi nada. Você foi nada. Isso é nada. Só que o nada já foi um nada mais completo, mais cheiroso, mais cretino. Mas tudo bem, vou tomar meu suco de goiaba. Aliás, vou despejar a jarra inteira na pia e fazer outro. Você pode ter drogado e eu preciso estar forte pra próxima sessão. Pensando bem é melhor comprar pronto. Um pouco de artificialidade na minha vida depois de um tombo de queixo. Quem sabe assim eu não fico sóbria de novo? Você só bebia suco de caixinha. Pensando bem é melhor eu ficar aqui, quieta no meu canto, de olhos arregalados que é pra não se dar ao luxo de cair no sono e depois acordar estranhando. Afinal já terminou e isso é só efeito colateral. Depois passa, repito, depois passa. Até sorrio. E vejo sem querer meu reflexo no espelho de frente a cama. E, olha só! Sorriso demente. Daí que eu sinto uma vontade enorme de quebrar o espelho. Mas eu só levanto, calço o chinelo e pego a carteira. Suco artificial é o de menos agora.
– Tortura rima com você, Juliana Nery. (via un-breakablegirl)(Source: salt-rain)
Via complicatedEu tenho um milhão de motivos pra fugir de pensar em você, mas em todos esses lugares você vai comigo. Você segura na minha mão na hora de atravessar a rua, você me olha triste quando eu olho para o celular pela milésima vez, você sente orgulho de mim quando eu solto uma gargalhada e você vira o rosto se algum homem vem falar comigo. Você prefere não ver, mas eu vejo você o tempo todo.
– Tati Bernardi. (via un-breakablegirl)(Source: m-i-l-o-n-g-a)
Via complicatedO táxi estará te esperando às duas. Não se atrase. Arrume as suas malas, coloque-as em ordem e deixe aqui para quando o taxista chegar, ele pegar. Antes de tudo, antes que se vá, se despeça de mim. Dê-me aquele último beijo, aquele abraço para se sentir mesmo após dez anos e tampouco aquele sorriso para se lembrar todas as noites antes de se entregar ao sono profundo. Se despeça de mim, meu amor. A chuva, aposto, que atrasará o seu táxi e você poderá ficar ao menos cinco minutos a mais comigo. Trafegar com chuva não será coisa fácil. Isso não vem ao caso. E se não te lembrasse de que eu estava aqui, do seu lado, você iria embora sem, ao menos, dar aquela olhadinha para trás, apenas para ver se eu estaria olhando para você? Lágrimas escorrerão sobre minhas bochechas, vermelhas e inchadas, por sua causa – por sua ida. Se despeça de mim e diga-me que eu, mesmo com todos os erros e mágoas, fui o melhor para você, que você nunca me esquecerá e que o nosso beijo ficará marcado para sempre, em todas as noites longes de mim. Meu amor tenha certeza de que isso faria do meu péssimo dia, um dos melhores. Olhe só, a chuva atenderá o meu pedido e comigo você, por cinco minutos, ficará. O táxi não chegará agora. Largue as suas malas ao chão e venha correndo para me abraçar bem forte, até perdermos o fôlego. Lasque-me aquele beijo molhado e ao final, diga-me que eu serei o pai dos seus filhos, que comigo ficará e o taxista, ignorará. Eu irei correr quilômetros de distância atrás desse táxi, caso você vá. Irei mesmo. Os cincos minutos se estouraram e nós ouviremos a buzina aguda do seu táxi. Se despeça de mim, minha flor. E se nós nunca mais vermo-nos? O nosso felizes-para-sempre ficará pela estrada, bem atrás do seu táxi? Se despeça de nós. E antes de ir, abra o seu vidro, mandando-me um beijo e dizendo que voltará. Por favor, amor.
– Lucas Guerrero, O táxi das duas e cinco. (via un-breakablegirl)(Source: desanimador)
Via complicated- Oi, meu nome é Eduardo - tenho certeza que minhas bochechas ficaram mais vermelhas que o cabelo cor de céu de outono no pôr-do-sol dela.
- Oi, meu nome é Brenda - e ela sorriu. Mas dessa vez, não apenas com os olhos. Eu não sabia nada sobre as mulheres, mas achei isso um bom sinal.
Quando ela começou a juntar os lábios para pronunciar meu, logo depois do oi, meu coração já tinha experimentado bater do jeito mais rápido possível, voltar para o lento, parar e acelerar novamente. Isso não aconteceu nem na sétima série quando a menina que eu gostava me deu um beijo na bochecha durante o jogo de verdade ou consequência. E porra, tinha sido um beijo. E eu gostava dela. Hoje foi só um oi e eu nem sabia o que eu sentia por essa menina do cabelo cor de céu de outono no pôr-do-sol. Mas que eu sentia alguma coisa, isso eu já estava começando a aceitar, porque não era possível.
- Oi - repeti, sem saber o que falar, mas lembrando de respirar dessa vez.
- Achei que você nunca ia falar comigo - ela deu um sorrisinho tímido.
Sério? Sério que ela estava tirando com a minha cara? Já tinham feito isso antes. Se fosse qualquer outra mulher eu inventaria uma desculpinha, o orgulho falaria mais alto e eu encerraria a conversa ali mesmo. Mas com ela era diferente, eu ficava pensando em o que falar, em assuntos que ela fosse achar interessante (mas oi, eu nem sabia do que ela gostava). E o jeito que ela olhou pra mim e depois desviou o olhar, tímida, sei lá, deu um negócio aqui dentro.
- Eu também achei - falei, com cara de idiota.
Aí nós ficamos lá, em silêncio, apenas nos olhando, desviando olhares e dando sorrisinhos bobos, até chegar no ponto. Ela seguiu para a farmácia, eu esperei ela entrar e entrei no meu trabalho. Nem notei se a chefe havia reclamado dos minutos de atraso. Para falar a verdade, não prestei atenção em nada hoje, nadinha mesmo. A única coisa que passava pela minha cabeça era o quão idiota eu havia sido hoje pela manhã e por qual motivo ela havia sorrido para mim. Duas coisas que eu ainda ia descobrir. Duas coisas que eu precisava saber o motivo. A primeira porque isso não era normal, esse tipo de coisa não acontecia comigo, de ser idiota na frente de mulheres, eu sempre conseguia. A segunda porque sei lá, ela era incrível e, mulheres como ela não falavam com caras como eu.
Terça, quarta e quinta foram assim. Essas conversinhas idiotas que, não sei para ela, mas para mim resultavam em horas pensando, insônias, sonhos, vontades… Até que quinta à noite tomei a decisão de chamá-la para sair na sexta.
- Oi - comecei, já tudo completamente errado do que eu havia passado a noite toda e uma parte da manhã planejando.
- Como você está? - ela meiga como sempre.
- Bem - respondi e fiquei olhando para ela. Aqueles olhos me prendiam demais. E aquele cabelo cor de céu de outono no pôr-do-sol fazia com que ela, sentada do lado da janela na terceira fila no ônibus, ficasse mais perfeita ainda. Quando me dei conta que ela esperava um ‘e você?’, voltei para a realidade e perguntei - e você?
- Bem também - e novamente aquele sorriso. Porra. PORRA. Calma Eduardo, respira, vai.
- Vai fazer alguma coisa hoje à noite? - falei tão rápido que nem sei como ela entendeu.
- Não tenho nada programado, tem alguma coisa para me sugerir? - ainda bem que ela colaborou, porque tava difícil de continuar.
- Ahm… - aí eu lembrei que tinha planejado tudo, que iria a convidar para sair sexta à noite e tudo mais, imaginado os diálogos, mas tinha esquecido de pensar em ONDE levá-la. Boa Eduardo, muito boa.
- Tem um restaurante que abriu perto da minha casa, eu estava pensando em ir, se quiser me acompanhar, será bem vindo.
Além de ser incrível, linda, gostosa, perfeita e outros adjetivos que se eu fosse descrever, não acabaria nunca mais, ela sabia exatamente quando falar e o que falar. Por favor, casa comigo, Brenda.
- Ah, claro. Ótimo, perfeito. Excelente - acho que eu exagerei, mas deve ter dado certo, porque ela riu quando eu abri a boca para falar ‘magnífico’.
- Combinado então, estarei lá às 19:00 p.m., Bistrô Varanda - ela falou assim que descemos do ônibus, antes de continuar seu caminho.
Fiquei o trabalho inteiro pensando em que roupa colocar mas não cheguei em conclusão nenhuma. Enfim, almocei, vi televisão, comi de novo, tomei banho, parei na frente do meu guarda roupa e tentei escolher algo para vestir. Peguei a calça jeans preta e a camisa cinza nova que eu havia ganhado semana passada. É, acho que fiquei bonito, ou menos feio, tanto fazia, acho que melhor não dava. Passei perfume e fui até o local combinado. Cheguei 18:57 p.m. e ela ainda não estava lá. Exatamente às 19:00 p.m., olhei para o lado esquerdo e a vi. Puta que pariu. O cabelo cor de céu de outono no pôr-do-sol ficava incrível até de noite, sem a luz do sol. E a silhueta dela estava perfeita, porque ela vinha na contra luz. Gostosa. Gostosa demais.
- Estou atrasada? - mesmo se ela estivesse, qualquer garoto esqueceria alguns minutos de espera depois de vê-la.
Fiz não com a cabeça e entramos no restaurante. A comida era muito boa, mas a conversa com ela foi melhor ainda. Ela estava morando aqui há três meses, então tive que fazer a clássica proposta ‘se você quiser, te apresento a cidade’. Ela riu, mas não respondeu. Outra coisa que era típica dela, me deixar curioso, ser difícil, tímida e misteriosa. Mas eu gostava disso. Na verdade, eu gostava muito disso.
- Quer continuar a conversa lá em casa? - perguntei, após pagar a conta, não pensando apenas em conversar.
Ela hesitou, olhou para o relógio, olhou para mim com uma cara de ‘você não quer apenas conversar’, deu um sorrisinho e finalmente falou: - Acho que tudo bem.
Assim que cheguei na frente do prédio o porteiro me olhou com uma cara de safado. Qual é? Só porque eu não levava mulheres pra casa sempre? Qual foi? Acenei para ele, que logo em seguida abriu o portão. Elevador. Porra. Elevador. Eu tinha um certo fetiche com elevadores e você vai concordar comigo que ficar em um elevador sozinho com essa perfeição em pessoa sem fazer absolutamente nada não era para qualquer um. E eu consegui. E eu me achei foda por isso. Mas assim que eu abri a porta, ela entrou e olhou para mim com a cara mais tímida, meiga e safada do mundo, eu não resisti.
- Posso te beijar? - perguntei ciente que faria muito esforço para esperar a resposta. Mas ela, como sempre, me surpreendeu e, ao envés de responder, deu um passo em minha direção e me beijou.
Ela é toda errada.
Toda ciumenta.
Toda atrapalhada.
Tem lá seus mil dramas.
Mas é com ela que me sinto bem.
É do cafuné dela que eu gosto.
É no sorriso torto dela que eu me apaixono.
É ela.


